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Os frameworks ESG mais conhecidos, como GRI, ISSB e ESRS, cobrem boa parte do que uma empresa precisa reportar, mas deixam lacunas específicas em aberto. Por vezes, falta especificidade dado que são padrões mais gerais.

É para preencher essas lacunas que existem outros modelos, pouco citados em reuniões de conselho, mas muito úteis para quem trabalha com sustentabilidade no dia a dia. Neste post, reuni 12 frameworks ESG em cinco grupos: economia circular, mensuração de impacto, stakeholders e governança, sustentabilidade sistêmica e avaliação de impacto social. A ideia é ampliar o seu radar sem abandonar os padrões que você já usa.

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Por que olhar para frameworks ESG além dos padrões tradicionais

Padrões de reporte respondem a uma pergunta de transparência: o que a empresa precisa divulgar para ser comparável e auditável. Já muitos frameworks ESG alternativos respondem a perguntas de gestão: como estruturar a estratégia, como medir a contribuição real, como envolver quem é afetado pelas decisões.

Essa diferença importa porque um relatório só reflete a qualidade do que acontece por trás dele. Empresas que dominam apenas os padrões tendem a produzir relatos completos, porém com pouca profundidade estratégica.

Deixa eu te mostrar os 12 frameworks ESG menos conhecidos:

frameworks ESG

Economia circular: ReSOLVE

Desenvolvido pela Ellen MacArthur Foundation, o ReSOLVE organiza a transição para modelos circulares em seis alavancas: regenerar, compartilhar, otimizar, fechar ciclos, virtualizar e trocar. O modelo mostra que economia circular vai muito além de reciclagem e que existem seis frentes possíveis de ação, do design do produto ao modelo comercial.

Na prática, funciona bem como ferramenta de diagnóstico em workshops internos. Basta pedir a cada área que indique onde a empresa já atua em cada alavanca e onde há espaço para avançar. O resultado costuma revelar oportunidades que não apareciam em uma análise focada só em resíduos.

Mensuração e contabilidade de impacto

Este grupo reúne três modelos que tentam responder à pergunta mais difícil da agenda: qual é o impacto real da empresa e quanto ele vale?

5 Dimensões de Impacto. Criado pelo Impact Management Project, propõe cinco perguntas para avaliar qualquer impacto: o que acontece, quem é afetado, quanto muda, qual é a contribuição da empresa e qual o risco de o impacto não se concretizar. É muito usado por investidores de impacto e ajuda a evitar relatos vagos, do tipo “beneficiamos milhares de pessoas”.

Impact-Weighted Accounts. Nascido na Harvard Business School, o modelo propõe traduzir impactos ambientais e sociais em valores monetários e incorporá-los à análise financeira. O resultado são demonstrativos em que, por exemplo, o custo das emissões ou o benefício de empregos de qualidade aparecem ao lado do lucro tradicional.

Value Balancing Alliance. Aliança de grandes empresas que desenvolve uma metodologia para medir e valorar o impacto dos negócios na sociedade. Vale acompanhar porque conversa com o debate europeu sobre dupla materialidade.

Esses três frameworks ESG de contabilidade de impacto ainda não são obrigatórios, mas antecipam uma tendência clara: reguladores e investidores querem comparar impacto em termos financeiros.

Stakeholder e governança

Os dois frameworks ESG deste grupo tratam de quem a empresa deve ouvir primeiro e de como garantir que esse processo de escuta seja confiável.

Stakeholder Salience Model. Proposto por Mitchell, Agle e Wood em 1997, classifica stakeholders segundo três atributos: poder, legitimidade e urgência. Quanto mais atributos um grupo reúne, maior a prioridade de engajamento. É uma alternativa objetiva ao “ouvir todo mundo”, que costuma resultar em consultas caras e pouco acionáveis.

AA1000 AccountAbility. Família de normas da AccountAbility que inclui princípios de inclusão, materialidade, responsividade e impacto, além de padrões específicos para engajamento de stakeholders e asseguração de relatórios de sustentabilidade. É útil quando a empresa quer que o processo de escuta seja tão robusto quanto o dado final.

Sustentabilidade sistêmica

Quatro frameworks ESG olham para a empresa como parte de um sistema maior, e não como uma operação isolada.

The Natural Step / FSSD. O Framework for Strategic Sustainable Development, criado por Karl-Henrik Robèrt, define condições básicas para uma sociedade sustentável e usa o backcasting: imagina-se o futuro desejado e trabalha-se de trás para frente para definir os passos concretos.

Future-Fit Business Benchmark. Propõe metas de “ponto de equilíbrio” que uma empresa precisa atingir para ser compatível com um futuro sustentável, com indicadores objetivos para temas ambientais e sociais. Serve como régua para medir a distância entre o estado atual e o que seria suficiente.

Net Positive. Parte da ideia de que reduzir danos não basta e a empresa deve deixar o mundo melhor do que encontrou. Exige definir fronteiras de impacto e critérios claros, para que a ambição não vire slogan.

Five Capitals Model. Enxerga a criação de valor a partir de cinco tipos de capital: natural, humano, social, manufaturado e financeiro. Ajuda a mostrar como decisões que parecem eficientes em um capital podem corroer outro.

Entre todos os frameworks ESG deste post, esse grupo é o mais indicado para quem desenha estratégia de longo prazo, e não apenas ciclos de reporte.

Avaliação de impacto social

Theory of Change. Mapeia a lógica causal entre atividades, resultados e impacto de longo prazo, com as premissas explícitas em cada passo. É a base de qualquer projeto social bem desenhado, porque força a equipe a responder: por que acreditamos que essa ação vai gerar essa mudança?

UNGPRF. O UN Guiding Principles Reporting Framework orienta as empresas a relatar como respeitam direitos humanos, com base nos Princípios Orientadores da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos. Com a expansão da devida diligência obrigatória em direitos humanos, ganha relevância para empresas com cadeias de fornecimento longas.

Onde esses frameworks ESG se conectam aos padrões que você já usa

Nenhum desses modelos precisa viver isolado. Boa parte deles alimenta diretamente o que os padrões tradicionais pedem.

O ReSOLVE ajuda a estruturar respostas ao ESRS E5, que trata de uso de recursos e economia circular. O AA1000 reforça o processo de engajamento e materialidade que o GRI exige, e ainda oferece uma referência para asseguração. O UNGPRF conversa com os temas de direitos humanos do GRI e com os padrões sociais do ESRS. As 5 Dimensões, o Impact-Weighted Accounts e o Value Balancing Alliance oferecem métodos para quantificar aquilo que a dupla materialidade pede que a empresa reconheça.

Ou seja, quando você usa esses frameworks ESG com critério, o ganho aparece duas vezes: na qualidade da decisão interna e na consistência do que é reportado para o mercado.

Como escolher entre esses frameworks ESG

Doze opções podem parecer muita coisa, e a resposta não é adotar todas. Um caminho prático é partir da lacuna que você quer preencher.

Se a dúvida é estratégica, comece pelo Natural Step, pelo Future-Fit ou pelo Five Capitals. Se a dificuldade é provar impacto, olhe para as 5 Dimensões, o Impact-Weighted Accounts ou o Value Balancing Alliance. Se o problema está na relação com partes interessadas, use o Salience Model e o AA1000. Para inovação de produto e modelo de negócio, o ReSOLVE. Para projetos sociais, a Theory of Change. Para direitos humanos na cadeia, o UNGPRF.

Um bom critério é escolher no máximo dois ou três por ciclo, aplicar em um caso concreto e avaliar se o resultado melhorou a decisão. Frameworks ESG só entregam valor quando mudam algo na gestão.

Por fim, nenhum deles substitui uma base de dados sólida e um reporte estruturado. Funcionam melhor como camada complementar sobre padrões como GRI e ISSB, e é assim que costumam gerar mais resultado para quem já tem a casa em ordem.

Rafael Avila

Carioca, empreendedor, sócio fundador da LUZ, professor de Excel, consultor e um apaixonado por produtividade. Acredito no poder que temos de ser as nossas melhores versões todos os dias.

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