Na tentativa de comunicar esforços e desempenho em ESG de forma padronizada e transparente os frameworks ESG emergem como ferramentas indispensáveis que fornecem estrutura e diretrizes necessárias para que as organizações identifiquem, meçam, gerenciem e reportem seus impactos e riscos relacionados à sustentabilidade.
Mas, diante de tantas opções, quais são os frameworks mais relevantes e como escolher o ideal para a sua organização? Hoje vamos mostrar o que nós aqui do Sustentabilidade Agora consideramos o Top 3 Frameworks ESG mais utilizados globalmente, analisando suas particularidades, benefícios, desafios e, claro, entendendo a dinâmica no Brasil.

Importância dos frameworks ESG
Antes de detalharmos os principais frameworks, é fundamental compreender sua importância. Eles não são meras formalidades; são pilares para a construção de uma estratégia de sustentabilidade robusta:
- Padronização e comparabilidade: Permitem que empresas de diferentes setores e geografias relatem informações de forma consistente, facilitando a comparação entre pares para investidores e stakeholders.
- Transparência e credibilidade: Aumentam a confiança do mercado ao demonstrar que a empresa segue diretrizes reconhecidas na divulgação de dados ESG.
- Gestão de riscos e oportunidades: Ajudam as empresas a identificar e gerenciar riscos socioambientais, ao mesmo tempo em que revelam oportunidades de inovação e criação de valor.
- Atração de capital: Investidores estão cada vez mais priorizando empresas com bom desempenho ESG, e a conformidade com frameworks é um sinal claro de compromisso.
- Melhora contínua: Fornecem um roteiro para aprimorar o desempenho ESG ao longo do tempo.
Top 3 frameworks ESG segundo o Sustentabilidade Agora
Selecionar o framework certo depende do seu setor, maturidade ESG e público-alvo. No entanto, três frameworks se destacam pela sua abrangência, reconhecimento e impacto:
1. Global Reporting Initiative (GRI)
Esse é, sem dúvida, o queridinho e mais reconhecido framework para relatórios de sustentabilidade no mundo. Criado em 1997, seu objetivo é permitir que organizações de qualquer tamanho e setor compreendam e comuniquem seus impactos mais críticos em questões econômicas, ambientais e sociais.
- O que é: Um conjunto de padrões modulares que fornecem diretrizes para a elaboração de relatórios de sustentabilidade. Ele abrange uma vasta gama de tópicos, permitindo que as empresas relatem sobre os impactos de suas operações.
- Importância: É o padrão de reporting mais difundido, sendo frequentemente o ponto de partida para empresas que iniciam sua jornada de transparência ESG, focando na materialidade de impacto, ou seja, como a organização impacta a economia, o meio ambiente e as pessoas.
- Benefícios:
- Abrangência: Cobre uma vasta gama de tópicos ESG, permitindo um relatório holístico.
- Flexibilidade: Seus módulos permitem que as empresas selecionem os tópicos relevantes para sua materialidade.
- Reconhecimento global: Aceito e compreendido por stakeholders em todo o mundo.
- Orientação para o diálogo: Ajuda a engajar stakeholders na identificação de temas materiais.
- Desafios:
- Volume de informação: Pode gerar relatórios extensos e complexos, exigindo grande volume de dados e muita paciência no desenvolvimento.
- Sem foco financeiro: Não se aprofunda nos impactos financeiros diretos de questões ESG, o que pode ser uma lacuna para investidores focados em riscos e oportunidades monetárias (afinal, time is money correto?).
- Quando usar: Ideal para empresas que buscam um relatório de sustentabilidade abrangente, focando em seus impactos na sociedade e no meio ambiente. É excelente para dialogar com um público amplo de stakeholders (funcionários, comunidades, ONGs, consumidores).
- Exemplo: Grandes corporações de diversos setores, como a Vale, Petrobras e Natura no Brasil, utilizam largamente o GRI em seus relatórios anuais de sustentabilidade.

2. Sustainability Accounting Standards Board (SASB)
O SASB oferece um contraste interessante ao GRI, focando na materialidade financeira das questões de sustentabilidade. Criado em 2011, ele visa ajudar empresas a divulgar informações ESG que sejam financeiramente relevantes para investidores.
- O que é: Um conjunto de padrões específicos por setor (77 setores no total) que identificam os tópicos ESG mais relevantes para o desempenho financeiro e o valor de mercado de uma empresa.
- Importância: Preenche uma lacuna para investidores, oferecendo dados ESG padronizados que impactam diretamente a tomada de decisão de investimento. Seu foco é na materialidade financeira, ou seja, como as questões ESG impactam a capacidade da empresa de gerar valor.
- Benefícios:
- Relevância financeira: Direciona as empresas para os temas ESG que mais importam para o desempenho financeiro do seu setor.
- Comparabilidade setorial: Facilita a comparação de desempenho ESG entre empresas do mesmo setor.
- Compacto: Geralmente resulta em relatórios mais concisos e focados para o público investidor.
- Desafios:
- Especificidade setorial: Pode não ser abrangente o suficiente para atender a todos os stakeholders além dos investidores.
- Nicho de mercado: Ainda menos difundido em algumas regiões ou setores em comparação com o GRI.
- Quando usar: Essencial para empresas que buscam comunicar seu desempenho ESG de forma clara e concisa para o mercado de capitais, analistas financeiros e investidores. É particularmente útil para setores com riscos e oportunidades ESG financeiramente significativos.
- Exemplo: Empresas de tecnologia, saúde, finanças e agronegócio que buscam atrair investimentos sustentáveis. Google, General Motors e Unilever são exemplos de empresas que incorporam o SASB em suas divulgações.
3. Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD)
A TCFD é um framework mais recente, estabelecido pelo Financial Stability Board (FSB) em 2015, em resposta à crescente preocupação com os impactos financeiros das mudanças climáticas. Seu foco é exclusivamente nos riscos e oportunidades relacionados ao clima.
- O que é: Fornece recomendações para que as empresas divulguem informações financeiramente relevantes sobre riscos e oportunidades relacionados ao clima em quatro áreas principais: Governança, Estratégia, Gestão de Riscos e Métricas e Metas.
- Importância: É um divisor de águas na forma como as empresas e o mercado financeiro abordam o risco climático. Seu foco é na resiliência financeira diante de cenários climáticos futuros.
- Benefícios:
- Foco climático: Aborda de forma abrangente os impactos financeiros das mudanças climáticas.
- Visão de futuro: Incentiva a análise de cenários climáticos (como o impacto de um aquecimento de 1.5°C ou 2°C) e a resiliência estratégica da empresa.
- Alinhamento regulatório: Tem ganhado forte apoio de reguladores financeiros e bancos centrais ao redor do mundo.
- Desafios:
- Complexidade da análise de cenários: Requer capacidade técnica e dados para realizar projeções futuras.
- Escopo limitado: Focado apenas em clima, não abrangendo outros temas ESG.
- Quando usar: Indispensável para empresas de todos os setores que enfrentam riscos ou oportunidades significativas relacionadas ao clima, ou que desejam atrair investidores que priorizam a resiliência climática. Setores como energia, financeiro, manufatura e agricultura são exemplos claros.
- Exemplo: Setor financeiro (bancos, seguradoras), empresas de energia, grandes indústrias com alta pegada de carbono. Santander, Banco do Brasil e Raízen são exemplos de empresas que já publicam seus relatórios alinhados às recomendações da TCFD.
Comparativo e Sinergias entre os frameworks
É importante notar que esses frameworks não são excludentes; na verdade, eles são complementares. Muitas empresas maduras em ESG optam por utilizar uma combinação deles para atender às necessidades de diferentes stakeholders. Por exemplo, um relatório GRI pode ser complementado com uma seção SASB para investidores e uma divulgação TCFD para riscos climáticos.

E no Brasil, qual o queridinho dos Frameworks ESG?
Por aqui, a paisagem dosframeworks ESG tem evoluído rapidamente, impulsionada pela crescente demanda de investidores nacionais e internacionais e por um avanço regulatório, ainda que gradual.
O GRI é, de longe, o framework mais utilizado pelas empresas brasileiras. A popularidade do GRI no país pode ser atribuída a alguns fatores:
- Pioneirismo e reconhecimento: O GRI foi um dos primeiros frameworks a ganhar tração global, estabelecendo-se como o padrão para a transparência de sustentabilidade.
- Abrangência: A natureza ampla do GRI permite que empresas de diversos setores e tamanhos reportem sobre seus múltiplos impactos, desde questões ambientais complexas (muito relevantes no Brasil) até temas sociais (direitos trabalhistas, diversidade, relacionamento com comunidades) e de governança.
- Diálogo com múltiplos stakeholders: O Brasil tem uma sociedade civil ativa e uma forte demanda por informações socioambientais que vão além do financeiro, e o GRI atende bem a essa necessidade.
- Alinhamento com o Pacto Global: Muitas empresas brasileiras são signatárias do Pacto Global da ONU, que endossa e promove o uso do GRI para relatórios de progresso.
Embora o GRI domine, o uso do SASB e da TCFD está em crescimento acelerado no Brasil, especialmente entre as empresas de capital aberto e as que buscam acesso a capital internacional. Reguladores como o Banco Central e a CVM têm sinalizado a importância da divulgação de riscos climáticos (alinhando-se à TCFD) e a adoção de padrões internacionais de relato. Instituições financeiras também têm incentivado o uso desses frameworks para gerenciar seus portfólios de investimento de forma mais sustentável.
A tendência é que as empresas brasileiras adotem uma abordagem híbrida, combinando a abrangência do GRI com a especificidade financeira do SASB e a análise climática da TCFD, para oferecer uma visão completa e robusta de sua performance ESG.

Outros frameworks e iniciativas relevantes
Nós apresentamos o que consideramos serem os mais importantes, mas vale a pena mencionar outros frameworks e iniciativas que complementam o cenário ESG:
- Integrated Reporting (IR): Promove um relato mais integrado das informações financeiras e não financeiras, mostrando como o capital (financeiro, natural, social, humano, intelectual, manufaturado) é gerado, transformado e distribuído.
- Carbon Disclosure Project (CDP): Uma plataforma global para empresas, cidades e governos divulgarem seus impactos ambientais (clima, água, florestas), com questionários anuais.
- Princípios para o Investimento Responsável (PRI): Uma iniciativa de investidores que se comprometem a incorporar fatores ESG em suas decisões de investimento e propriedade.

Escolha estratégica e evolução contínua
A escolha dos frameworks ESG é uma decisão estratégica que alinha a comunicação da empresa com seus objetivos de sustentabilidade e as expectativas de seus stakeholders. Não há uma solução única; muitas vezes, a combinação de frameworks é a abordagem mais eficaz.
Independentemente do caminho escolhido, o mais importante é o compromisso com a transparência e a melhoria contínua. Os frameworks são ferramentas que apoiam essa jornada, permitindo que as empresas não apenas reportem seus avanços, também identifiquem oportunidades para um futuro mais sustentável e resiliente. O universo ESG está em constante evolução, e a capacidade de adaptar-se e inovar no uso desses frameworks será um diferencial competitivo crucial para as empresas que buscam liderar a Agenda 2030.
E você, qual seu preferido hein? Conta pra gente aí nos comentários!













