Vocês sabiam que voos sustentáveis já são uma realidade? Calma que vou explicar como isso funciona no passo a passo e é muito simples. Não tem fórmula mágica, nem pegadinha. É só saber (e querer) encontrar as informações certas durante o processo de compra do seu voo.
De acordo com a Organização Sustainable Travel International quase metade das emissões de carbono no Turismo são oriundas dos meios de transporte utilizados e a aviação domina esse setor pela quantidade de combustível fóssil utilizado e pelas longas distâncias percorridas. Vimos um exemplo disso durante a recente Copa do Mundo e tem post sobre isso aqui no blog.

O que fazer para compensar o carbono emitido?
Como forma de mitigar sua pegada de carbono, as companhias aéreas estão possibilitando que os próprios passageiros “compensem sua parte” na emissão de gás carbônico durante o seu trecho de viagem. Para isso, as empresas disponibilizam aos passageiros que optem por pagar uma taxa extra baseada no valor de CO2 a ser compensado pelo trecho percorrido durante a viagem.
Essa taxa é opcional e normalmente é encontrada durante o ato da compra da passagem, nos serviços adicionais que são oferecidos pelas cias aéreas aos clientes. Ou seja, as empresas aéreas estão dividindo com os passageiros a responsabilidade pela sua pegada de carbono e eu confesso que acho isso muito interessante pois torna o processo ainda mais completo e inclusivo!
Contudo, nem todos os passageiros sabem dessa informação ou simplesmente optam por não pagar essa taxa extra (muito por conta dos preços, digamos, expressivos que algumas cias aéreas aplicam em suas passagens). Depois que eu descobri essa possibilidade, tenho feito questão de pagar essa taxa e busco a informação em outros meios de transporte também. Descobri que alguns aplicativos de transporte terrestre também adotam práticas parecidas com intuito de compensar suas pegadas de carbono.
Para onde é destinado o valor das taxas pagas pelos passageiros?
São diversas formas de se compensar o carbono emitido e o valor arrecadado pelas taxas é investido em projetos que reduzem os níveis de CO2 pelo mundo como plantação de florestas, fomento a energia limpa, proteção de zonas úmidas, produção de cimento com baixo teor de carbono e investimento em tecnologia para redução de uso de combustíveis fósseis, dentre outras possibilidades. Muitas empresas são parceiras ou patrocinadoras desses projetos para garantir que os resultados alcançados sejam os mais satisfatórios possíveis.
É sempre bom ressaltar que as compensações não eliminam as emissões, que ainda ocorrem de qualquer jeito pois as frotas aéreas ainda são majoritariamente consumidoras de combustíveis fosseis. Todavia, várias empresas aéreas já se comprometeram com o compromisso de zerar suas emissões de CO2 até 2050 e enquanto esse dia não chega vamos fazendo nossa parte daqui.
Os créditos de Carbono

Antes que vocês comecem a pensar “ah, mas a passagem já é cara e ainda tem de pagar mais essa taxa?” é importante saber o que ela representa. Pensa assim: toda vez que um avião decola e vai de um destino ao outro ele libera gás carbônico na atmosfera. Aí que entra a tal da compensação de carbono! As cias aéreas tem de comprar créditos de carbono (unidade referente a cada tonelada de CO2 produzido) para COMPENSAR a quantidade que foi emitida por ela. E quem detém os créditos de carbono? As organizações e projetos que reduzem os níveis de CO2 como os exemplos citados anteriormente.
Até o ano passado (2022) o valor de cada crédito de carbono estava em torno de R$22. Então, o que as empresas aéreas cobram é uma porcentagem baseada no valor do crédito de carbono referente a fração do trecho que você voou com eles. Ou seja, você não paga na totalidade pela empresa, mas colabora com o equilíbrio da compensação de carbono gerado por todos que estão no voo. Acho justo, e você?
As cias aéreas brasileiras
Como não daria para falar de todas as cias aéreas do mundo, resolvi focar nas mais relevantes da nossa pátria amada e falar um pouquinho sobre o que elas tem feito com relação à sustentabilidade.
O compromisso da empresa com a meta de carbono zero até 2050 está numa crescente e a companhia foi pioneira no lançamento de uma rota 100% carbono neutro no trecho Recife X Noronha em 2021.

Numa parceria com a plataforma MOSS para compensação de créditos a cia aérea pode reduzir em até 25% as emissões de carbono do arquipélago, já que estudos mostram que mais da metade do carbono emitido na região vem do fluxo de aviões. Através dessa parceria, os passageiros conseguem compensar suas emissões durante a compra da passagem ou neutralizar trechos já voados adquirindo eles próprios créditos de carbono referente as emissões de outros trechos realizados.
Além disso estão focados na renovação da frota para modelos mais eficientes no consumo de combustível e aeronaves elétricas, apoia desenvolvimento de combustível sustentável, possui selo IEnvA stage 1* e está em busca do IEnvA stage 2 (ISO 14000)**, classificação OURO no Programa Brasileiro GHG Protocol e integra organizações que impulsionam tecnologia sustentável.
*IATA Environmental Assessment: garante o desenvolvimento de uma clara política ambiental
**ISO 14000: padrões internacionais para meio ambiente, guias e relatórios técnicos.
Com meta de chegar a neutralidade na emissão de carbono em 2045 (quer deixar a concorrência pra trás) tem se concentrado na redução das emissões com foco na renovação da frota, sendo a idade média mais baixa entre as cias aéreas (6,6 anos de média das aeronaves). E gosto da ousada estratégia de ter aeronaves totalmente elétricas até 2025, sem emissão de carbono…. será???
Outras ações são reestruturação da malha aérea, com voos mais curtos e diretos e redução do peso das aeronaves, contribuição para projetos que busquem combustíveis alternativos e sustentáveis, faz parte do Pacto Global da ONU, Dow Jones Sustainability Index e ISE da B3, possui hangar verde para manutenção das aeronaves em Confins (MG), parceria com EuReciclo para as embalagens dos snacks e buscando eliminar o consumo de papel através da digitalização da documentação.
Também no caminho de ser carbono neutro até 2050, o objetivo a curto prazo é reduzir as emissões domesticas em 50% até 2030, através de projetos de conservação de ecossistemas na américa do sul, como foco nos biomas nacionais, e parceria com a The Nature Conservancy e entidades locais, além da modernização da frota.
A empresa já faz um controle interno no monitoramento da sua própria pegada de carbono e junto com seus colaboradores tem reduzido anualmente suas emissões, possui programa próprio para eficiência no uso de combustível, pratica compensações semanais, oferece aos clientes possibilidade de compensar suas próprias emissões (sistema 1+1), expansão do programa de reciclagem, digitalização dos processos e diversas certificações e afiliações como as citadas previamente.
É muito mais do que “pagar mais uma taxa”! É fazer parte de um grande movimento que está tentando salvar (ou ao menos, melhorar) o mundo em que estamos vivendo. E agora, vai voar mais sustentável na sua próxima viagem?













