A mudança climática é um grande problema que o mundo enfrenta, mas não o único. A emissão de gases de Efeito Estufa é um grande risco para as mudanças climáticas e afeta toda a biodiversidade do planeta.
Gases de efeito estufa capturam calor e tornam o planeta mais quente. Quando olhamos para as principais fontes de emissões mais responsáveis por esse impacto temos no transporte em primeiro lugar, seguido por eletricidade e indústria, e depois Comercial & Residencial e Agricultura.
Tendo uma visão geral dos gases de efeito estufa temos não apenas dióxido de carbono (CO2), mas outros gases também: metano (CH4), óxido nitroso (N2O) e gases fluorados. Cada um desses gases tem um potencial de aquecimento global diferente. Por exemplo, o óxido nitroso tem um potencial de 298, enquanto o dióxido de carbono tem 1.
Outro gás impactante é o metano que é 28 vezes mais poderoso que o dióxido de carbono no aquecimento global. Cerca de 20% do aquecimento do planeta pode ser atribuído à concentração desse gás. Um setor que tem muita responsabilidade em relação a esse elemento é o setor pecuário.
Vacas e outros animais hospedam micróbios em seus estômagos que produzem metano como seu lixo, que viajam para fora de ambas as extremidades das vacas. Além desse problema, existem cerca de 1,4 bilhão de bovinos no mundo, e esse número está crescendo continuamente. Juntamente com outros animais pastando, as vacas contribuem para cerca de 40% do orçamento anual do metano.

Além disso, a população está aumentando substancialmente a cada ano, a taxa de crescimento não é tão rápida quanto há 10 anos, no entanto, estima-se que a população global atinja cerca de 8,5 bilhões de pessoas em 2030 e 9,7 bilhões em 2050 e 11,2 bilhões em 2100, de acordo com os dados fornecidos pelas Nações Unidas. Alguns fatores que influenciam o crescimento populacional são as taxas de fertilidade, o aumento da longevidade e a migração internacional.
Quando adicionamos esses dois fatores, temos um grande problema. Com o crescimento populacional, as urbanizações e o aumento da renda nos países em desenvolvimento, também temos um aumento na demanda por produtos pecuários. Já estamos enfrentando um enorme risco com o hábito alimentar de consumir produtos de origem animal com tanta frequência, quando você prevê o aumento do consumo juntamente com o aumento da população, estamos prevendo um resultado catastrófico.
O setor pecuário exige um grande número de recursos naturais e é responsável pelas emissões antropogênicas de gases de efeito estufa. Desde o uso extensivo da terra para acomodar os animais e cultivar os grãos para alimentar esses animais até a quantidade astronômica de água para manter essa produção, esses são alguns dos fatores responsáveis por esse enorme impacto negativo que a pecuária tem em nosso planeta.
Além disso, a agricultura animal gera metano (produzido principalmente por fermentação e armazenamento de estrume) e óxido nitroso (armazenamento de estrume e uso de fertilizantes orgânicos/inorgânicos).

Quando olhamos para o Brasil, o maior exportador de carne bovina do mundo, exportando 2 bilhões de toneladas em peso de carcaça bovina a cada ano, 62,8% de todas as terras devastadas na Floresta Amazônica foram destinadas à pecuária. Grandes florestas em todo o mundo estão sendo devastadas para dar espaço para mais pastos, infelizmente. O Brasil tem o maior número de animais do mundo em torno de 213 milhões, há mais vacas do que pessoas no país.
A poluição criada a partir dessa atividade também é muito preocupante. É gerado a partir do uso de fertilizantes, excrementos animais, erosão, antibióticos, hormônios e pesticidas. A remoção da cobertura vegetal para formar pastagens compromete a biodiversidade, compromete o ciclo da água e estimula erosões na terra aumentando a velocidade de lixiviação.
O uso da água é tão intenso que para cada 1kg de carne bovina que você consome, você está de alguma forma consumindo entre 5.000 e 20.000 litros de água.
“A pecuária é um dos contribuintes mais significativos para os problemas ambientais mais graves da atualidade, é necessária uma ação urgente para remediar a situação”, disse o funcionário sênior da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, Henning Steinfeld. “Os custos ambientais por unidade de produção pecuária devem ser reduzidos pela metade, apenas para evitar que o nível de dano piore além do nível atual”, adverte.
É fundamental entender a necessidade de preservar e restaurar florestas, que absorvem carbono do ar. A menos que parasse, o desmatamento poderia transformar grande parte da Floresta Amazônica em um deserto e poderia liberar mais de 50 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera em 30 a 50 anos, diz Carlos Nobre, especialista em clima da Universidade de São Paulo.
De acordo com o relatório sobre mudanças climáticas e terras do painel intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), as dietas de base vegetal são uma grande oportunidade para mitigar e adaptar-se às mudanças climáticas.
Analisando os facilitadores de redução de carbono algumas opções para a indústria pecuária também seriam medidas de imposto sobre o carbono e compensação de carbono. No entanto, antes de mais nada, a mudança no comportamento dos consumidores é essencial para mitigar esse resultado desastroso que o crescimento da pecuária traz.













